Por dificuldades de agenda, vamos passar o documentário “A TROCA”na próxima sexta-feira, dia 1 de Fevereiro de 2013, às 21,30 H. na associação cultural “é neste país”, em Évora, e não no dia 2 como inicialmente tinha sido anunciado. Esperamos por todos na sexta-feira à noite para uma projecção interessante e um debate animado, para o qual convidamos todos os que se sintam motivados para esta temática que tem vindo a ganhar muitos adeptos quer em Évora, quer na região.
No sábado,26 de Janeiro,entre as 14h 30 e as 18h, foi levado a cabo em Lisboa, um protesto anti-autoritário contra o capitalismo, fascismo e repressão, de solidariedade com os compas na Grécia e em todo o mundo e pela defesa dos espaços libertados. Em particular, no seu comunicado, abordavam-se o ataque frontal do Estado grego contra o movimento anti-autoritário, a repressão política dos activistas contra o TAV (Itália) e da ZAD (Zona A Defender, contra o novo aeroporto dos arredores de Nantes), a repressão dos movimentos indígenas, as repressões violentas de manifestações massivas por toda a Europa (caso da greve geral 14N) e o ataque policial a estudantes do ensino básico com gás lacrimogéneo, dentro de uma escola em Braga (Portugal). Uma chamada à luta, sem fronteiras.
MINA DE SÃO DOMINGOS – 189? – A LA MINUTE (FOTÓGRAFO DE RUA) [FONTE: ANTÓNIO PACHECO] (AQUI)
Albino Forjaz Sampaio foi um jornalista e escritor republicano do início do século XX. Colaborou no jornal A LUTA, com Fialho de Almeida e Brito Camacho, a quem dedicou o livro “Crónicas Imorais”, editado em 1909 e que num dos capítulos aborda a situação dos mineiros de São Domingos, a propósito de uma greve dos 3 mil trabalhadores da empresa, propriedade de uma companhia inglesa, que transformara todo o couto mineiro numa verdadeira prisão, com polícia própria. São páginas que demonstram a miséria e a exploração que os trabalhadores mineiros viviam em São Domingos e que levaria a que esta mina do Baixo Alentejo fosse, já na República, um dos bastiões da organização sindical, com um forte sindicato dos mineiros integrando a CGT anarcosindicalista.
A última grande greve em São Domingos registou-se em 1932, tendo havido uma violenta repressão subsequente em que os elementos mais destacados foram perseguidos, presos e despedidos da mina. A partir daí a presença anarquista e anarcosindicalista em São Domingos começou a decrescer. O último dirigente sindical anarquista – foi presidente do Sindicato dos Mineiros – Valentim Adolfo João era natural da Mina de São Domingos e esteve preso até quase ao final da década de 60, acusado de ter fornecido explosivos para o atentado a Salazar.
“AO PROLETARIADO: A CONFEDERAÇÃO GERAL DO TRABALHO E A GREVE NAS MINAS DE S. DOMINGOS”
(Apelo à solidariedade feito pela CGT, em 1932, quando a greve dos mineiros de São Domingos já durava há um mês)
Solidariedade com @s compas greg@s e de todo o mundo! 26.Jan. SALDANHA 14H30 – LARGO DO CAMÕES 17H00
Durante os últimos meses, os ataques contra os movimentos anti-autoritários têm sido reforçados a nível mundial. Desde os ataques às ocupações de terras e às acções de greve, ao despejo de espaços auto-geridos e de ocupações de empresas – todas as actividades que sejam susceptíveis de criar espaços libertados dentro deste sistema tendem a ser esmagados. Os nossos meios de contra-informação são censurados ou bloqueados. Quando saímos às ruas para expressar as nossas ideias, lá está a polícia à nossa espera… As câmaras de vigilância seguem-nos a par e passo. @s noss@s companheir@s vêm-se pres@s. Em muitos casos, torna-se cada vez mais evidente a ligação do estado aos grupos fascistas, que se tornaram uma ameaça mortal omnipresente para alguns/algumas de entre nós. Nas regiões do mundo onde o empobrecimento atinge directamente largas margens da sociedade, o Estado combate os movimentos anti-autoritários, que se formam para combater, na sua génese, a fome e a injustiça. Por todo o mundo, e nas últimas semanas especialmente na Grécia, os espaços e centros libertários são atacados com o objectivo de destruir a ideia de auto-gestão e defender o sistema que prevalece. Nos ataques mais recentes, o objectivo parece ser a destruição do movimento anti-autoritário, o desmantelamento dos lugares onde a resistência contra os poderosos e as alternativas são semeadas e produzem frutos. Torna-se necessário conectar as nossas lutas globalmente. Embora seja o ataque frontal do Estado grego contra o movimento anti-autoritário o que está na origem deste apelo, são inumeráveis os exemplos no mundo inteiro que mostram os ataques sistemáticos sobre os movimentos de resistência a este sistema que nos oprime e atira para a miséria – desde a repressão política dos activistas contra o TAV (Itália) e da ZAD (Zona A Defender, contra o novo aeroporto dos arredores de Nantes) à repressão dos movimentos indígenas, das repressões violentas de manifestações populares por toda a Europa (como na greve geral 14N) até ao ataque de estudantes do básico com gás lacrimogéneo em Braga. O aparelho estatal e policial opera e coopera de maneira transnacional e tem como objectivo a defesa dos interesses dos poderosos, na lógica da destruição das estruturas solidárias e da “pacificação” à força da sociedade, com todos os meios à sua disposição. É preciso responder a estes ataques concertados. Apelamos a uma campanha de solidariedade e de resistência activa no mundo inteiro como resposta aos ataques contra o movimento anti-autoritário em Atenas e todos os outros movimentos reprimidos. Concretamente, isto significa: Pensar em acções para fazer nos seus locais, doações, organizar o apoio material e ser criativ@. Mas este apelo não se limita a algumas acções dispersas, mas pretende ser uma chamada para “despertar” o movimento anti-autoritário. Acabe-se com a passividade e com os combates defensivos! Temos de nos bater dia após dia e independentemente das expulsões e detenções. Não esperemos que outros ataques contra o nosso movimento sejam realizados – é necessário agir já. Só quando conseguirmos interromper a lógica da luta defensiva seremos realmente capazes de nos opor a este sistema. Cada ataque da reacção é um ataque contra tod@s nós! Não há fronteiras nos nossos corações! Não podemos permanecer inactiv@s, perante a destruição de todas as nossas estruturas e a continuação da realização dos seus planos. Por cada projecto atacado, deve ser encontrada uma resposta apropriada. Por cada expulsão, devem ser feitas duas reocupações. Por cada companheir@ pres@, o combate social deve ser reforçado. Mostremos que um ataque tem consequências. É importante informar-se a uns e a outros sobre os projectos, a fim de se reagir em força.
Primeiro disco de Vitorino Salomé, editado em 1975, com José de Brito, um velho anarquista lisboeta, na capa.
Vídeo com imagens de José De Brito, um dos anarquistas históricos do movimento libertário de antes do 25 de Abril de 1974. José de Brito teve uma juventude aventurosa na Argentina, militando no sindicato anarcosindicalista F.O.RA. Viveu muitos anos na Calçada da Bica, em Lisboa, onde possuía uma monumental biblioteca, e que serviu a muitos jovens, nos meses que se seguiram ao 25 de Abril, de espaço de convívio e de aproximação às ideias e à história do movimento libertário.
“José de Brito nasceu no Algarve no início do séc. XX, emigrou para a Argentina onde militou na organização anarcossindicalista FORA (Federación Obrera Regional Argentina) e regressou a Portugal cerca de 1940. Tendo antes trabalhado em feiras e mercados, estabeleceu-se depois em Lisboa com uma marisqueira em Cascais e uma casa de venda de mariscos na Praça da Figueira, denominado “O Cesteiro”, que passou a ser um ponto de encontro de camaradas anarquistas. Depois do 25 de Abril de 1974 ganhou notoriedade para além do seu bairro da Bica, criando a Cooperativa Cultural Editora Fomento Acrata e fazendo vender na rua o jornal “A Merda”, editando um cartaz com o galo de Barcelos em postura eleitoralista (“Ruim por ruim, vota em mim!”), etc. Publicou colaboração na imprensa libertária sob pseudónimos como “Zé Barembé”, “Barnabé de Bernardino Filho”(?) e outra assinada com o seu nome, tal como várias brochuras (por exemplo, “Uma revolução dentro da revolução social”, 1991). Há notas biográficas saídas após a sua morte em “Utopia”, 4, 1996; e em “Singularidades”, 9, 1997 (João Freire, 2012)